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Polícia investiga se pai filmava tortura de menino acorrentado em SP

Computadores, HDs, câmeras e memórias digitais foram apreendidos na casa onde Kratos Douglas, de 11 anos, foi encontrado morto no Itaim Paulista. Polícia apura se as agressões sofridas pelo menino acorrentado eram gravadas dentro do imóvel.

📅 15/05/2026 07:05 Por: Rádio Comunidade FM Rádio Comunidade FM

                    Polícia investiga se pai filmava tortura de menino acorrentado em SP
Foto: Notícias ao Minuto

A Polícia Civil de São Paulo investiga se as agressões sofridas por Kratos Douglas, de 11 anos, eram gravadas dentro da casa onde o menino foi encontrado morto, no Itaim Paulista, na Zona Leste da capital.

A nova linha de investigação surgiu após agentes apreenderem computadores, HDs, cartões de memória e diversos equipamentos eletrônicos no imóvel. A quantidade de câmeras espalhadas pelos cômodos também chamou a atenção dos investigadores.

Segundo o delegado Thiago Bassi, todo o material será analisado pela perícia para identificar se existiam registros das torturas sofridas pela criança e se o conteúdo chegou a ser armazenado ou compartilhado.

“A casa era monitorada, havia vários computadores. Nós apreendemos computadores, HDs e vários tipos de memória. Tudo isso será encaminhado para perícia”, afirmou.

A Justiça já autorizou a quebra de dados telemáticos dos equipamentos encontrados na residência. A polícia aguarda agora os laudos técnicos para avançar na apuração.

O pai do menino, Chris Douglas, de 52 anos, a avó paterna, Aparecida Gonçalves, de 81, e a madrasta, Camilla Barbosa Dantas Felix, de 42, estão presos e foram indiciados por tortura com resultado morte.

De acordo com os investigadores, Kratos sofria agressões e era mantido acorrentado havia pelo menos um ano.

Durante depoimento, o pai admitiu que prendia o filho com correntes para impedir fugas, mas negou agressões físicas. A polícia, no entanto, encontrou lesões compatíveis com tortura e sinais severos de desnutrição.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o estado físico do garoto impressionou até os investigadores envolvidos no caso.

A polícia afirma ainda que o menino praticamente não era visto fora da residência desde que a família se mudou para o imóvel, há cerca de um ano.

Vizinhos ouvidos pela investigação relataram que sequer sabiam da existência da criança na casa.

Os investigadores descobriram também que Kratos não frequentava escola em São Paulo. O último registro escolar localizado pela polícia é de uma unidade de ensino em Bauru, no interior paulista, no ano de 2024.

A avó e a madrasta disseram em depoimento que sabiam que o garoto era acorrentado, mas alegaram que isso acontecia porque ele costumava fugir de casa. Ambas negaram participação nas agressões.

O caso começou a ser investigado na segunda-feira (11), quando familiares acionaram o Samu e o Corpo de Bombeiros afirmando que o menino estava passando mal.

Quando os socorristas chegaram ao imóvel, Kratos já estava morto. O corpo apresentava hematomas nos braços, pernas e mãos, além de outros sinais de maus-tratos.

As correntes usadas para prender a criança foram apreendidas, assim como os equipamentos de monitoramento instalados na residência.

Outras duas crianças que estavam na casa foram encaminhadas ao Conselho Tutelar.

A mãe de Kratos, que vive no interior de São Paulo, ainda será ouvida pela Polícia Civil como testemunha. Até o momento, ela não é investigada.  

Menino de 11 anos foi encontrado morto com sinais de tortura no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência, familiares sabiam que a criança era mantida acorrentada ao pé da cama

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